Eu podia escrever um post inteiro com a frase “Neil Gaiman é um gênio!“, mas isso seria um tanto quanto cansativo para você, leitor. Então, decidi maneirar nos elogios e apenas dissertar sobre a incrível história de Coraline.
Eis a (enorme) sinopse.: “A história de Coraline é de provocar calafrios. A narrativa dá muitas voltas e percorre longas distâncias, criando um “outro” mundo onde todos os aspectos de vida são pervertidos e desvirtuados para o macabro. Ao mesmo tempo sutil e cruel, o autor gosta de desafiar as imagens simples dos livros infantis tradicionais. As crianças vão se deliciar com o frio que correrá em suas espinhas durante a leitura e ficarão até agradecidas por existir um escritor que finalmente se recusa a tratar com condescendência uma platéia ávida por empolgantes contos de terror. 
Coraline (e NÃO “Caroline”, como ela mesmo diz inflexivelmente) acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, consegue abrir uma porta na sala de visitas de casa que sempre estivera trancada e descobre um caminho para um misterioso apartamento “vazio” no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado, e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus “outros” pais.
Na verdade, aquele parece ser um “outro” completo mundo mágico atrás da porta. Lá, há brinquedos incríveis e vizinhos que nunca falam seu nome errado. Porém a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários.”
A primeira coisa a se observar, além do nome do autor na capa do livro (putz! Neil Gaiman!), é a ambientação da premissa: somos conduzidos a uma realidade pequena, onde poucos personagens nos guiam num mundo onde uma chave negra abre uma porta e, vualá, uma pequena exploradora parte em busca de alguma diversão.
O autor lança, desde começo da história, pequenas informações que além de enriquecerem a obra, ajudarão no futuro; por isso preste atenção aos detalhes, afinal, com eles tudo fica ainda mais belo. Exemplo? O fato de todos dizerem “Caroline” e não “Coraline” serve (mais adiante na história) como incentivo para que e menina desista se objetivos e aceite o amor de sua outra mãe, mas, ainda bem que Coraline traz sempre à mão uma pedra com um furo no meio…
Não há necessidade de explicações longas nem de definições claras, tudo é porque é, e ponto. A magia está lá, o extraordinário acontece e fim de conversa. Porque perder tempo com esclarecimentos excessivos quando tudo o que se precisa já está devidamente apresentado?
O estilo do autor de Sandman é inconfundível, mas aqui ele cria algo que, ainda parecendo completamente original, evoca elementos consagrados dos contos de fadas; isso fez com que muitos comparassem Coraline à Alice no País das Maravilhas. O que, creio eu, faz bastante sentido. Pois de uma maneira subjetiva e, diga-se de passagem, um tanto quanto surreal, a história da ambas meninas está interligada por uma abstração constante.
Não sei se é a narrativa de Gaiman ou as ilustrações de McKean mas, a imersão na trama é tamanha que, em dado momento, quando fica subentendido que Coraline ganhará “olhos-de-botão”, eu realmente senti meu sangue gelar; nunca uma “história infantil” foi tão claramente assustadora.
Em meio à tudo isso ainda é possível enchergar questionamentos interessantíssimos. Quem diria que gatos não precisam de nomes porque sabem quem são e que humanos precisam de nomenclatura pois não se conhecem a si mesmos? Digo quem: um gato!
Conclusão.: Coraline é uma excelente história, seja por sua simplicidade mágica, seja pela curiosidade que desperta no leitor (dá pra ler o livro numa tacada só!). Os méritos são tantos que eu não saberia descrevê-los todos… Mas esteja avisado: apenas comece essa leitura se estiver preparado para temer eternamente aquela porta esquecida em sua sala de visitas.

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